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Morre a historiadora Emilia Viotti da Costa

Faleceu no dia 2 de novembro, em São Paulo, aos 89 anos, a historiadora e professora Emilia Viotti da Costa. Profunda conhecedora da História do Brasil foi autora de livros de referência obrigatória sobre a escravidão, como “Da Senzala à Colônia” e “A abolição”, tema examinado sob o ângulo da resistência no estudo “Coroas de glória, lágrimas de sangue: a rebelião dos escravos de Demerara em 1823”. Realizou também estudos historiográficos (“A dialética invertida e outros ensaios”; “Estruturas Versus Experiência Novas Tendências na História do Movimento Operário e das Classes Trabalhadoras na América Latina: o que se perde e o que se ganha”) e coordenou projetos editoriais (Coleção Revoluções no Século XX).

Atuou como livre-docente da Universidade de São Paulo entre 1964 e 1969. Após proferir a aula inaugural e debater na TV com o ministro da Educação Tarso Dutra o tema “A crise da Universidade” foi presa com outros colegas e posteriormente aposentada compulsoriamente. Lembremos de Alberto Carvalho da Silva, Florestan Fernandes, Manoel Mauricio de Albuquerque, Maria Eulalia Lahmeyer Lobo, Maria Yedda Linhares, Mário Schenberg, Miriam Limoeiro Cardoso e Quirino Campofiorito dentre outras tantas vítimas da ditadura militar, como demonstra o estudo “As universidades e o regime militar”, de Rodrigo Patto Sá Motta. A perseguição política levou muitos deles ao exílio, a exemplo da professora Viotti da Costa. Em 1973 tornou-se professora de História da América na Universidade de Yale. Em 1999, assim como outros professores cassados, recebeu o título de professora emérita da USP. Quem quiser conhecer a personalidade e as opiniões da professora sobre o Brasil, em sua história e dilemas, deve assistir à entrevista concedida por ela ao programa Roda-Viva em 2001.

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