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Ainda sobre a intervenção militar

No final de setembro, Leonardo Boff, teólogo e humanista cristão, publicou o texto “Ditadura nunca mais”, no qual, a propósito das declarações do general Olimpio Mourão Filho sobre a necessidade de uma intervenção militar para combater a corrupção, denuncia os resultados do golpe militar de abril de 1964.

A cantilena da corrupção sempre anima a direita, como se não fosse um fenômeno comum ao Estado desde seu aparecimento histórico; um fenômeno que atinge proporções gigantescas no capitalismo, dada a massa da riqueza transferida como verba pública. Para quem raciocina em termos de emancipação social, o combate à corrupção é, em contrapartida, um tema incluído na luta pela apropriação da riqueza social.

Se considerarmos a conjuntura atual e seus desdobramentos, a corrupção constitui um problema menor. Apesar da gravidade da situação política, golpe dificilmente se anuncia, é articulado e cometido; tampouco precisa ser militar. Lembremos que no ano passado o Congresso Nacional e o Poder Judiciário depuseram a presidente Dilma Roussef para abrir, aceleradamente, o caminho para uma ofensiva contra os direitos dos trabalhadores (a chamada “reforma trabalhista”) e uma ampla direitização da vida política e cultural, atualmente em curso.

Não se pode ignorar, porém, o sentido político da manifestação de militares como o general Mourão diante do calendário eleitoral marcado para 2018, com eleição presidencial e renovação do poder legislativo.  Ou seja, apesar do mal estar frente ao atual governo federal e mesmo indignação por causa dos cortes orçamentários na área da Defesa, Mourão Filho e outros militares alinham-se com este governo no empenho de manter as imposições vigentes e mesmo ampliá-las (a reforma da previdência continua em pauta) e de evitar qualquer possibilidade de um futuro governo “populista”.

A quem se dirige, porém, tais declarações militares? Uma possível resposta encontra-se nas declarações do general Edson Leal Pujol, comandante militar do Sul ao convocar os insatisfeitos com a situação política do país a se manifestar “ordeiramente”, uma vez que uma intervenção militar não seria uma solução, conforme a matéria publicada na Folha de São Paulo de 28 de setembro de 2017.

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